EMATER-MG: 70 Anos de Pioneirismo e Conquistas

A Emater-MG completa 70 anos no dia 06 de dezembro. Na mesma data também é comemorado em todo Brasil o Dia da Extensão Rural, uma alusão ao pioneirismo mineiro. Foi aqui a primeira experiência brasileira na introdução de novas técnicas agrícolas para os produtores rurais, levando até o campo aquele conhecimento que era gerado nos centros de ensino e de pesquisa.

Tudo começou em 1948 com a criação da Associação de Crédito e Assistência Rural (ACAR), para execução de um convênio com a American International Association (AIA). O primeiro Escritório Local foi instalado no município de Santa Luzia e também atendia Belo Horizonte, Lagoa Santa, Vespasiano e Betim. Cada Escritório da Acar, na época, era integrado por um supervisor agrícola (engenheiro agrônomo, médico veterinário ou técnico agrícola) e uma supervisora doméstica (professora, enfermeira, economista doméstica). Os profissionais se locomoviam para as propriedades rurais utilizando os antigos jeep`s e, muitas vezes, a cavalo ou a pé.

José Paulo Ribeiro, ex-presidente da Emater-MG, explica no livro “A Saga da Extensão Rural” o início das atividades. “A Acar, como o seu próprio nome indica, era uma associação de crédito e assistência técnica. Essa mesma assistência deve ser compreendida como um processo educativo com características da filosofia da Extensão Rural, pois tratava-se de ensinar práticas agrícolas e de economia doméstica, adotados graças ao fator crédito rural, uma vez que sem este, e por não possuírem poupança interna, os produtores rurais e suas famílias não o conseguiriam”, destaca.

Em 1974, o Governo Federal, com a atuação direta do então Ministro da Agricultura, o mineiro Alysson Paulinelli, decide criar a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater). A nova entidade tem influência no surgimento de diversas Emateres pelo país, entre elas a Emater-MG em 1975. Sebastião Cardoso era o Secretário Executivo da Acar quando se deu a transição para Emater-MG. “Estávamos, todos, muito ansiosos e com muita expectativa pela transição, já que deixaríamos de trabalhar para Acar, que era mantida por um convênio, e estaríamos prestando nossos serviços a uma empresa pública, com mais respaldo e segurança no futuro das atividades”, conta.

José de Castro foi o primeiro presidente da Emater-MG, em 1976. Ele fala sobre como foi assumir essa responsabilidade. “Essa diretoria procurou colocar em prática o diálogo e a transparência no relacionamento com o pessoal da empresa e com toda a sociedade. Cito, como exemplo, a revogação da proibição de casamento para as mulheres funcionárias, que era uma herança da influência norte-americana. Com o objetivo de evitar qualquer atitude personalista, os novos dirigentes procuraram criar e fortalecer os elementos básicos de uma administração moderna: Missão, Visão, Objetivos e Resultados. É bom frisar que o critério fundamental para avaliar as diretrizes empresariais era a sustentabilidade de vida na Terra, o que implicava respeito à Natureza, às Pessoas e à Sociedade”, destaca.

Criada inicialmente com a função de subsidiar os produtores rurais com o crédito rural, aliado a difusão de tecnologia, a Emater-MG teve papel fundamental na extensão de áreas agricultáveis em Minas Gerais e na organização e mobilização dos produtores rurais. As atividades da empresa favoreceram não apenas no acesso ao crédito, mas também a inserção de novas técnicas de produção e acessos a políticas governamentais. O trabalho pioneiro e os resultados apresentados pela Emater-MG transformaram a Empresa em referência para todo o país.

Quem assumiu a presidência da Emater-MG logo após o mandato de José de Castro foi o também ex-presidente da Amaer, Paulo Severino. Ele fala sobre essas mudanças. “Mesmo com a mudança do nome de Acar para Emater-MG, os objetivos da extensão rural continuaram os mesmos, voltada para a assistência aos pequenos e médios produtores. O que aconteceu foi que, com a aproximação do fim do convênio com a AIA, que mantinha a Acar, o Alysson Paulinelli foi quem lutou muito para que essa transformação acontecesse e que pudéssemos chegar onde estamos hoje. E a prova de que a missão foi e está sendo bem cumprida são os 70 anos da empresa”.

A atuação da Empresa influencia, até hoje, diretamente na modernização do campo e na segurança alimentar. Outros importantes aspectos da atuação são: organização de grupos associativos e a assistência técnica a agricultores em empreendimentos individuais e coletivos; preservação do meio ambiente; comercialização em mercados institucionais (PAA e PNAE) e feiras livres; concursos de qualidade e produtividade; regulamentação e incentivos às agroindústrias; infraestrutura rural; e muito mais.

Atualmente, a Emater-MG está presente em 790 municípios de Minas Gerais, possui mais de 2 mil profissionais e atende 400 mil famílias de agricultores familiares por ano. O resultado dessa trajetória, construída no passado e fortalecida ao longo dos anos, garante a geração de renda no campo, produção de alimentos, bem-estar e desenvolvimento sustentável no meio rural.