Argileu Martins – Presidente da Asbraer e da Emater-DF

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Argileu Martins é natural de Jequitinhonha (MG). É servidor de carreira da Emater-MG, empresa na qual foi diretor técnico. Atuou no Ministério do Desenvolvimento Agrário de 2004 a 2014, sendo secretário de Agricultura Familiar e diretor do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural. Atualmente é presidente da Emater-DF e da Asbraer.

AMAER : Quais os principais desafios da Ater Brasileira?

Argileu: O principal desafio é o reconhecimento do seu papel no processo de desenvolvimento da agropecuária, da inovação tecnológica e da renda no campo. As autoridades públicas e as organizações da sociedade civil precisam entender que sem Ater de qualidade não teremos eficácia nas políticas públicas. Se verificarmos o desempenho do conjunto das ações governamentais para o desenvolvimento rural constataremos que elas têm um desempenho melhor onde a Ater é mais forte e mais presente. Há mais crédito, mais comercialização, mais organização rural, mais diversificação da produção onde a Ater é mais atuante.

AMAER: Como a Asbraer tem atuado na valorização do serviço de Ater?

Argileu: A ASBRAER é uma entidade de representação política, temos interagido com o Congresso Nacional, com os ministérios parceiros, com as organizações internacionais, com as entidades de pesquisa, com governadores, para demonstrar que o recurso investido nas nossas organizações retornam, no mínimo, três vezes mais para sociedade. Além disso assinamos com o canal Terra Viva, do Grupo Bandeirantes, com foco na população urbana, 28 inserções mensais, do programa: MINUTO INOVAÇÃO NA AGROPECUÁRIA; a rede de comunicadores da ASBRAER, da qual fazem parte todos os assessores de comunicação das ‘Emateres”, está funcionando, graças a um jornalista contratado para liderar o plano de comunicação da Ater em nível nacional. Colocar a Ater na pauta política foi o grande feito dos últimos 10 anos da Ater brasileira, além de ter multiplicado por 100 o orçamento federal, que diga-se de passagem, ainda é pequeno frente ao aporte que fazem os estados.

AMAER: Qual a expectativa com a criação da Anater? E qual a previsão da entidade começar a atuar?

Argileu: A ANATER teve o seu Conselho de Administração reunido pela primeira vez dia 07/12/2015; doravante ela passa a existir de fato. A expectativa é de que tenhamos uma entidade capaz de coordenar os serviços no âmbito nacional e liderar um processo de pactuação com os estados diferente do que existe hoje. Esperamos que a ANATER estabeleça uma parceria com os estados pactuando metas, resultados e equilibre melhor o financiamento dos serviços de extensão, aumentando a participação do governo federal.

AMAER: Quais os principais desafios da Emater-DF?

Argileu: Temos produzido aqui algumas inovações, graças à boa escola pela qual passei na Emater-MG. Seremos a primeira Emater do Brasil a mensurar os resultados da nossa ação. Temos indicadores econômicos, ambientais e sociais. Iniciamos um trabalho para atuar na Ater de gestão, de modo que além de tecnologias de produção, vamos ofertar aos produtores e suas organizações tecnologias que aperfeiçoem os procedimentos de gerenciamento do seu negócio, essa é uma demanda muito atual. Uma outra ação de vanguarda que iniciamos foi a implantação no tema da inovação agropecuária. Se o conhecimento é produzido pela pesquisa somos nós os responsáveis para que ele se transforme em inovação, por isso colocamos no estatuto da Emater-DF a responsabilidade, aqui no Distrito Federal, pela inovação e lideramos uma rede constituída pelos órgãos de pesquisa e ensino. Esse conjunto de ações fará com que superemos alguns desafios históricos da extensão rural, que necessitam estar atualizados com as demandas da sociedade e do setor agropecuário.

AMAER: Qual o balanço que o senhor faz de 2015 para Ater? E balanço do primeiro ano de gestão frente à Emater-DF?

Argileu: Tivemos um ano de muitas dificuldades políticas e econômicas, na extensão avalio que estamos acabando bem. A ANATER virou realidade, tivemos novos servidores contratados em Tocantins e Mato Grosso. O estatuto da ANATER foi aprovado com uma autorização expressa para a Agência pactuar um instrumento específico com as nossas associadas, tirando-nos de uma concorrência desnecessária com as entidades privadas. Apesar da crise, aqui em Brasília, pagamos nossos salários de dezembro no dia 23/12, portanto adiantados; captamos recursos no âmbito federal permitindo renovar nossa TI e nossa frota de veículos e estamos mantendo uma imagem de reconhecimento da sociedade. Tivemos um ano de inovações e seguimos acreditando que em 2016 consolidaremos muitos outros projetos e realizações.