Experiências – por Benito Marangon

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O ano era 1964. José Paulo Ribeiro na direção da ACAR, atual Emater-MG. Eu formando em Agronomia, pela UREMG, agora UFV. Hora de escolher onde trabalhar, isso mesmo, escolher! Toda semana havia uma empresa que se reunia com os formados para convidá-los.

Por muitos anos o José Paulo relatou esse caso como algo inédito. E era mesmo. Eu o procurei, em uma de suas idas a Viçosa, e disse que queria trabalhar na ACAR. Mas tinha uma condição. Ele deu aquela tossezinha e pensou, “lá vem nativo querendo ficar em Viçosa”, como se dizia na época. Quero um local longe dessa região. Eu procurava um local onde pudesse encontrar uma pessoa que eu tinha imaginado que existia e que muito interessava-me – eu mesmo! Agora o extensionista. Virei o caçador de mim, como diria o Milton Nascimento em uma de suas canções. A caçada deu certo. Encontrei o cara e gostei dele.

Estava livre das expectativas dos velhos conhecidos. Na época meu escritório de trabalho, em Santa Rita do Sapucaí, respondia pela posição de número 50 no ranking interno. Estabeleci como meta colocá-lo entre os três primeiros em um ano e consegui! Na realidade eu queria o primeiro lugar, mas, em primeiro era o imbatível, Paulo Guido, em Itajubá, em seguida o escritório de Luz. Tive uma constelação de condições favoráveis e aproveitei todas. A primeira delas foi o José Alves de Castro, o “Zé Trator”, dirigente Regional de Pouso Alegre, meu chefe desafiador, apoiador e com ideias muito avançadas para época. Aprendi com Zé de Castro e Terezinha Morais a estudar para fazer bem Extensão Rural. Valeu-me a vida toda, levou-me ao mestrado de Extensão Rural, quatro anos depois.
Agora vamos falar dos agricultores e suas famílias. Deixei por último porque já previa que a emoção iria bloquear meu relato. Temos histórias que daria um livro. Vejo-os na minha frente com aquele olhar de gratidão como se eu fosse um Salvador. Mas sinto que apenas cumpri a minha missão, nobre missão! Alguns viraram meus amigos. Depois que sai de Santa Rita do Sapucaí ainda nos visitávamos.
Eu já ouvira falar que as vezes o extensionista fazia até parto. Eu achava um exagero até que, um dia retornando de uma das comunidades que trabalhávamos um agricultor cercou- me na estrada e pediu para levar a esposa ao hospital, pois o bebê já iria nascer. Pedia a Deus para segurar a criança no ventre da mãe mais um pouco e tudo deu certo. Ela já entrou no hospital em trabalho de parto e eu não tive essa difícil missão. Por pouco se cumpria a profecia.
Reconheço que é muito difícil relatar a experiência sem analisar na sequência, o que aconteceu depois. Está tudo integrado. Esses foram no campo os dois anos de formatura, para virar gente que pensa e profissional com aulas ao vivo e sem direito a certificado.

 

Benito Marangon