Humberto Póvoa: conhecimentos traduzidos em grandes feitos na extensão rural

Perfil - Humberto

Responsável por grandes feitos na extensão rural em Minas Gerais. É dessa forma que o associado da Amaer, Humberto Nolasco Póvoa, é lembrado. Dentre esses grandes trabalhos, três se destacam pela inovação e integração com a sociedade: a expansão do cultivo de café no Estado, o Concurso de Produtividade de Milho e a criação da Feira Livre.

Natural de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, Póvoa vive hoje com a família em Lavras, no Sul de Minas, local onde desenvolveu grande parte da vida profissional e revolucionou a extensão com novas técnicas e ideias.

Ao se formar em Engenharia Agronômica, em 1958, começou a trabalhar na Acar/Emater-MG, no município de Campo Belo, no Sul de Minas. De lá foi transferido para Lavras, onde trabalhou como supervisor no escritório local da Acar. Em 1967 foi criado, na mesma cidade, o Escritório Seccional com o papel de supervisionar os escritórios regionais e locais no Sul de Minas. Nessa ocasião, Humberto foi convidado e assumiu, nesse escritório o cargo de coordenador de culturas.

O admirador Ruy Ferrari fala sobre a importância de Humberto Póvoa em sua formação. “Um dos acontecimentos mais importantes da minha vida profissional foi ter estagiado com o colega Humberto Póvoa. Aprendi com o Humberto aquele jeito fácil e objetivo de fazer extensão. Com sua experiência e competência sempre esteve à frente dos grandes acontecimentos da agricultura sul-mineira”, relata.

Conhecimento e inovação

Sempre preocupado com o desenvolvimento da região, Humberto Póvoa buscou novos conhecimentos sobre o cultivo de café no Instituto Agronômico de Campinas em São Paulo. “Durante essa viagem, eu e os companheiros fomos apresentados a variedade de café conhecida como Mundo Novo. Levamos uma pequena quantidade de sementes para Campo Belo e instalamos um viveiro de café. O resultado foi muito positivo e motivou outros produtores da região a investir no grão”, conta orgulhoso.

O Concurso de Produtividade de Milho

Póvoa lembra com orgulho do feito que alavancou a produção de milho em Minas Gerais, o Concurso de Produtividade de Milho. “Diante da baixa produtividade, discutimos uma maneira de modificar esse quadro. Dessa forma, o concurso foi criado em 1975 e elevou a produção, mudando a história do grão em Minas”, conta.

O concurso era realizado a nível municipal e, devido ao grande sucesso, se estendeu para todas as regiões produtoras no Estado. “Na região da Emater de Lavras, obtivemos resultados de produtividade superior a 10.000 kg de milho por hectare, bem mais significativo do que os 2.000 kg iniciais”, afirma.

Segundo Póvoa, a escolha dos vencedores era realizada de acordo com um processo estabelecido tecnicamente e o evento contava com a presença de muitas autoridades. Foram muito prêmios entregues aos vencedores, entre eles se destacam os tratores e a espiga de milho em ouro com os grãos em topázio amarelo”, lembra.

A extensionista aposentada e amiga, Ruth Baganha, trabalhou com Póvoa por muitos anos e revela que ele sempre foi uma pessoa muito correta e aberta ao diálogo. “O Humberto é uma pessoa super organizada e desenvolveu importantes contribuições para a extensão rural em Minas”, comenta.

Produtividade e independência

Um outro feito histórico do extensionista aposentado foi a criação da Feira Livre, motivada pela carência de abastecimento local de frutas e hortaliças na região de Lavras. “Boa parte da produção comercializada vinha de São Paulo e da região de Belo Horizonte. Esse problema foi discutido do com as pessoas envolvidas e surgiu a ideia de uma feira livre para que os produtores locais comercializassem a própria produção”, afirma.

Diante de muito trabalho e parcerias com as entidades envolvidas, foi inaugurada em 20 de julho de 1965, sendo a primeira feira livre instalada pela extensão rural no Estado de Minas Gerais. Após 51 anos a feira funciona normalmente e com número de feirantes bem maior.

Descanso merecido

Junto a esposa Thelma Resende Póvoa, o associado da Amaer têm três filhos e seis netos. Mesmo afastado das atividades profissionais revela ser grato a Emater-MG por todo trabalho realizado e amigos que conquistou “A Emater-MG devo o melhor de meus agradecimentos pela vida que me proporcionou, funcionando também como verdadeira escola”, encerra.