José Alves de Castro: Vocação que vem da terra

José de Castro - Perfil

A vocação para as “coisas da terra” acompanha o extensionista aposentado e ex-presidente da Emater-MG, José Alves de Castro, desde o nascimento, em 1934, no município de Candeias, no Oeste mineiro.

Criado na fazenda da Cachoeira-Alta, ainda criança foi iniciado nos trabalhos diários da roça. “Aprendi a cuidar do gado no lombo do meu cavalo, Pampinha. Também tirava e desnatava o leite, ser o candeeiro e cultivar o grande sonho de um dia ser carreiro de carro de bois”, conta.

Com todas essas atividades, foi difícil achar o caminho da escola, mas o avô e padrinho exigiu, até seus últimos dias de vida,  a ida do neto para escola e a continuação dos estudos até a formatura. “A escolha do curso superior não poderia ser diferente: agronomia, cursado em Viçosa. Dessa forma sempre mantinha a ligação com minhas origens”, fala.

A história de Castro com a Acar começou, 1958, ano de formatura, quando foi agraciado com uma bolsa de estudos e assumiu o compromisso de trabalhar pelo menos dois anos na instituição. No ano seguinte, terminado o curso de pré-serviço assumiu o escritório de Elói Mendes, no Sul de Minas, onde ficou por dois anos e meio. Após esse período passou por Pouso Alegre, sendo responsável pela abertura do escritório regional, expandindo o trabalho para vários municípios da região. Em 1966, foi promovido a Supervisor Estadual, em Belo Horizonte.

José de Castro também teve papel estratégico e decisivo como secretário-executivo, por seis anos, na Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural da Bahia – Ancarba. Participou, em 1975, da criação da EMBRATER, em Brasília.

José de Castro - PerfilUm dos grandes papeis na vida de Castro foi o de primeiro presidente da Emater-MG, em 1976, após o convite do então governador de Minas Gerais, Aureliano Chaves.  “Durante esse período foi tentado o uso de vários princípios de administração, os quais levaram a equipe a rever diversas práticas correntes substituindo-as por processos administrativos que poderiam levar nossa empresa a prestar melhores serviços”, conta.

Nessa época, o companheiro Carlos Antônio Landi lembra da atuação de José de Castro. “O Zé nos surpreendia com as contratações de consultorias especializadas que contribuíam para o nosso aprimoramento técnico profissional e de relacionamento com nossos colegas de trabalho. Quem se esquece do grande seminário em Lavras onde, por três dias reuniram-se todos os empregados do Escritório Central. Esse seminário nos tornou melhores pela autorreflexão critica de cada um, no seu relacionamento pessoal, no seu papel profissional e na missão da extensão rural no mundo moderno da época”, narra.

Com o fim do mandato, Castro continuou a formação acadêmica se tornando mestre em administração pública pela USC, nos Estados Unidos. E, após mais de 40 anos de dedicação, se desligou da empresa em 1999. Mas isso não significou vestir o pijama para o aposentado. “Fui convidado a dar aulas no UNI-BH, no curso de mestrado da FEAD e na Faculdade Metropolitana. Essa foi uma experiência muito rica já que pude rever alguns assuntos como Planejamento Estratégico, Teoria Geral de Administração e Ética Profissional”, conta.

O amigo Wellington Barros lembra com carinho o período em que trabalharam juntos. “O José de Castro ou simplesmente Zé de Castro e, para os íntimos, Zé Trator, significa tudo para a extensão rural, pois, além de ter sua origem no campo, o Zé foi de supervisor local a presidente da Emater, passando por todos os cargos e funções na empresa. Possui uma visão global da extensão tanto em Minas Gerais quanto no Brasil”, afirma.

Atualmente Castro cuida do quintal e desenvolve as atividades de horticultor, profissão que ele julga ser mais difícil do que ser Engenheiro Agrônomo. Mas essa não é a única atividade. “Paralelamente, por aconselhamento de meus filhos, tento escrever minha história de vida, que por sugestão de Marcelo, o livro terá o nome de ‘Poeira Vermelha’, em homenagem à minha primeira vocação: sair de candieiro e passar a ser Carreiro de carro de bois. Outra atividade prazerosa é curtir a convivência com os meus netos”, encerra.