Quais os cuidados necessários com os idosos durante o isolamento?

O novo coronavírus alterou a nossa rotina, e a incerteza sobre o futuro próximo tem deixado muita gente ansiosa. Além disso, há a preocupação em manter a salvo os familiares que estão no grupo de risco da COVID-19, mas muitas pessoas não sabem bem como seguir uma rotina de cuidados com os idosos durante o isolamento social.

Afinal, quais devem ser os cuidados com os idosos durante o isolamento adotado para combater a pandemia?

Tomar os cuidados básicos de higiene

Se já é desafiador para a gente seguir os cuidados básicos de higiene recomendados pelas autoridades de saúde nacionais e internacionais, imagine para as pessoas com idade avançada. Portanto, é importante que você monitore, incentive e lembre o idoso de:

  • lavar as mãos com água e sabão com frequência;
  • usar álcool 70% em gel (caso precise sair);
  • evitar que toque o rosto se estiver na rua.

Eu aproveito para frisar que o isolamento em um espaço na residência só é necessário se houver um morador contaminado pelo coronavírus (com ou sem sintomas). Do contrário, basta manter o distanciamento social, que nada mais é do que evitar aglomerações e saídas desnecessárias — e o convívio com os familiares deve ser preservado.

Isso é fundamental para que o idoso não se sinta abandonado nem desenvolva depressão ou outros distúrbios emocionais e comportamentais. Se ele não tem um contato saudável em casa, muito provavelmente vai querer sair para satisfazer essa necessidade inerente do ser humano. E é aí que precisamos encontrar o equilíbrio.

Ademais, quem vive com o idoso ou que o vê frequentemente precisa ter esses mesmos cuidados redobrados. Isso porque eu imagino que você esteja fazendo as suas compras, por exemplo, e, ao voltar para casa, deve proteger o seu familiar dos riscos de infecção.

Dentro de casa, separe alguns utensílios domésticos para uso exclusivo dele e, por mais difícil que seja, tente não abraçar nem beijar e manter uma distância segura do idoso. Pequenos cuidados fazem a diferença.

Conversar sobre a situação

Como mencionei no início do artigo, a pandemia tem causado instabilidades emocionais em muitas pessoas, e com os idosos não é diferente. Ao constatarem que fazem parte do grupo de risco, a carga de estresse pode ser maior.

Desse modo, muitos deles podem desobedecer às recomendações e sair às ruas para encontrar alívio para essa angústia. Então, é essencial estabelecer um diálogo aberto e honesto com o idoso sobre os perigos do contato social e da doença em si.

Explique por que você se preocupa tanto e pergunte se pode contar com a cooperação dele para que todos possam contornar essa situação de uma maneira mais leve. Verifique quais são as fontes pelas quais ele tem se informado e assegure que estas sejam embasadas na ciência, e não em fake news.

No entanto, é importante levar em consideração as doenças cognitivas, como Alzheimer, para compreender se as desobediências são decorrentes da inaptidão de assimilar as informações. É interessante conversar com o geriatra ou outros profissionais que cuidam do idoso, a fim de saber como administrar a situação nesses casos.

Lidar com a ansiedade e o medo

Durante as conversas sérias sobre o assunto ou no decorrer dos dias, é imprescindível mantermos a calma. A pandemia tem colocado à prova principalmente quem sofre de ansiedade, exigindo um grande esforço para preservar a sanidade mental.

Independentemente de você sofrer de Transtorno de Ansiedade Generalizada ou não, é importante não transmitir emoções negativas para o idoso. Se você estiver em pânico, ele também entrará nesse estado.

Logo, procure trabalhar o autocuidado. Só assim conseguimos cuidar dos outros. Informe-se para que você tenha um conhecimento sólido sobre o que está acontecendo, mas se policie para não exagerar na dose.

Lembre-se de que, se você se mantiver tranquilo, conseguirá transmitir calma e segurança para quem estiver ao seu redor. Ajude o idoso a focar no momento presente, ao mesmo tempo em que vislumbra a volta da normalidade quando tudo isso passar.

Integrar o idoso à rotina da família

A proteção ao idoso durante o isolamento social pode se tornar excessiva, caso as tarefas domésticas não sejam compartilhadas por todos. Ele já está privado das atividades cotidianas sociais, então, é preciso ter cuidado para que ele não se sinta inútil dentro de casa.

Se o idoso não tiver nenhuma limitação física, você pode incluí-lo na rotina da família. Inclusive, é essencial darmos valor às pequenas atividades diárias, para mantermos a mente (nossa e deles) ocupada e ativa.

Dividir alguns hobbies também pode ser muito agradável e proveitoso. Pergunte o que ele gostaria de fazer com você e dedique um tempo precioso para essa relação. Que tal jogar cartas, jardinar, ou incentivá-lo a escrever um livro sobre suas memórias de infância?

Auxiliar no uso das tecnologias

A tecnologia tem ajudado muito a mantermos a mente sã, não é mesmo? Mesmo que a gente não possa estar fisicamente em contato com nossos amigos e familiares, podemos nos relacionar com eles de forma virtual.

Além disso, diversos mercados, farmácias e outros estabelecimentos seguem funcionando via delivery, para a nossa comodidade e segurança. Porém, lembre-se de que os idosos fazem parte de uma geração analógica e, por mais que já estejam acostumados com a presença tecnológica no dia a dia, muitos não sabem como explorar os recursos.

Mas atenção: não é para você simplesmente pegar o celular e tomar à frente das compras. Tenha paciência, sente-se diante do computador e escolham juntos os itens. Ensine o idoso a mexer no celular e explique como ele pode fazer chamadas de vídeo com seus amigos. Ou seja, reforçando o tópico anterior, inclua-o nas atividades do cotidiano.

Como você pôde notar, os cuidados com os idosos durante o isolamento social vão além das recomendações de hábitos de higiene. Estamos passando por uma fase delicada, mas tenha em mente que ela é passageira. Afinal, como disse o filósofo Heráclito de Éfeso, “a única constante é a mudança” — essa situação não é permanente, e tudo ficará bem.

Fonte: Psicologia Dockhorn.